sábado, 18 de março de 2017

Deus Me Livre Desse CD

Sai com esse gospel pra lá!
Esse deve estar em primeiro lugar na playlist do Marco Feliciano!

Conquistador Barato

Não é sempre. Nem de costume nem corriqueiro. Mas, às vezes, só às vezes, pããããããta que o pariu, às vezes (como agora, início de madrugada, sangue cheio de rum), eu sinto uma puta duma saudade dos meus tempos de conquistador barato.
Conquistador Barato
(Léo Jaime)
Eu mando os mesmos versos para um bando de garotas
Eu mesmo faço as manchas de baton na minha roupa
Eu sei que um dia desses eu ainda vou em gana
Porque eu mando mais torpedos que a marinha americana

Mas quando eu vejo um broto e digo "agora é pra valer"
Eu ouço os meus dentes batendo e os meus joelhos a tremer
Eu faço mil bobagens, eu não sei o que dizer
Mas mando a minha brasa e vou fingindo não saber

Que eu queimo o meu filme, eu enfio o pé na lama
Eu sujo o meu nome e ainda pioro a minha fama
De conquistador barato
Bam-bam-bum-bam-bum, bambolê

Eu sempre bato o carro olhando os brotos na calçada
E não decoro nomes - isso então é uma piada
Na praia ou nas festinhas eu só me meto em confusão
Porque eu paquero a garota e nem reparo o garotão

Mas quando encontro um broto e digo "agora é de verdade"
Eu fico como se tivesse apenas dois anos de idade
Eu falo mil bobagens, eu não sei o que dizer
Eu tiro o meu time pois eu sei que vou perder

Eu queimo o meu filme, eu enfio o pé na lama
Eu sujo o meu nome e ainda pioro a minha fama
De conquistador barato
bam-bam-bum-bam-bum,bambolê,bam-bam-num-bam-bum,bambolê
Rodando mais que um bambolê

sexta-feira, 17 de março de 2017

Sorri

Há aqueles
Que levam pela vida
A pesada bola de ferro de uma diabetes agrilhoada em seus calcanhares.
Cortam-lhes o açúcar,
O doce da vida,
E eles não morrem.
Acomete-lhes a cegueira
E eles não morrem.
Assalta-lhes o caos vascular
E eles não morrem.
Amputam-lhes os membros
E eles não morrem.
E ainda sorriem.

Há aqueles
Que penam pela vida
A rotina tirana de uma hemodiálise.
Cortam-lhes o sal, 
O tempero da vida,
E eles não morrem.
Limitam-lhes até a água,
Condenam-lhes a um exílio em deserto fisiológico,
E eles não morrem.
Implantam-lhes cateteres nos braços e no pescoço
E eles não morrem.
Acinzentam-lhes a pele e as faces,
Suam urina,
E eles não morrem.
Amputam-lhes os membros
E eles não morrem.
E ainda sorriem.

Há aqueles
Que arrastam pela vida
O fardo intransportável de um câncer.
Bombardeiam-lhes com radiação de cobalto-60
E eles não morrem.
Administram-lhes venenos incandescentes nas veias
- Napalm-terapia -
E eles não morrem.
Tosam-lhes os cabelos
E eles não morrem.
Sabotam-lhes o sistema imunológico
E eles não morrem.
Amputam-lhes os membros
E eles não morrem.
E ainda sorriem.

Há aqueles
Que puxam pela vida
A inútil carroça de rodas quadradas do magistério.
Desprezam-lhes o conhecimento e a formação
E eles não morrem.
Desacatam-lhes em sua função e em seu ganha-pão
E eles não morrem.
Ridicularizam-lhes os valores morais
E eles não morrem.
Pagam-lhes salários de fome
E eles não morrem.
Submetem-lhes a ambientes insalubres,
A pelourinhos irrespiráveis,
E eles não morrem.
Não lhes amputam os membros, é verdade
Mas o orgulho profissional e a dignidade
E eles não morrem.
Dentre esses, porém,
Nenhum é pego
Ou se pega
- Ainda que raramente
Ainda que por descuido 
Ainda que por distração -
A sorrir.

terça-feira, 14 de março de 2017

Outras Estações

A escolha é sempre fácil.
O difícil é decidir
Se a faremos
Ante a realidade,
Ou ante as possibilidades.

Aí, é que os entroncamentos
Se encruam e se desentendem;
Aí, é que os ramais ferroviários
Se entrevam;
Aí, é que os trens
- o bala-japonês e o fantasma -
Colidem.

domingo, 12 de março de 2017

É a Podridão, Meu Velho (15)

Todos os meus inimigos me venceram.
Nenhum, porém,
Em confronto direto;
Nenhum, porém, 
Como um macho das antigas,
Como um macho de respeito.
À minha sinceridade peçonhenta,
Revidaram com indiferença, pouco caso e sonsice;
Aos meus rosnados hidrofóbicos, com sorrisos fingidos e amarelos, de meia boca, ortodônticos;
Às minhas bravatas, provocações e cusparadas, com condescendência, hipocrisia e tapinhas nas costas.

Todos os meus inimigos me venceram.
Nenhum, porém,
Em um duelo de espadas à sombra de um carvalho medieval,
Ou em um de pistolas fumegantes ao pôr-do-sol em uma cidade-fantasma do velho oeste,
Ou em um de baionetas caladas na calada da noite em uma trincheira alemã;
Nenhum, porém,
Em um ringue de boxe num porão de paredes gotejantes,
Sem luvas, sem protetor bucal,
Sem interrupções de round,
Sem redenção pelo gongo.

Pelo cansaço!
Todos meus inimigos me venceram pelo cansaço.

Em suma, o que sou,
Em re-sumo, o sumo que sobrou :
Um velho cansado,
Cansado de ser vencido pelo cansaço.

(sorte, a dos super-heróis, de poderem quebrar os ossos de seus inimigos e transformar suas caras em massas sangrentas, ou de serem desossados e abandonados, pacotes disformes de carne, no chão fedendo a urina de um beco escuro)

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (41)

Johnny Hooker é pra ser tocado até o disco furar nas vitrolas dos bordéis, dos lupanares, dos cabarés, das casas das luzes vermelhas e dos zonões do baixo meretrício. Johnny Hooker é o tecno-Odair José.
Johnny Hooker é o requinte do brega. É o brega-rococó.
Johnny Hooker é um escândalo, é a versão feminina da Ângela Rô Rô. Johnny Hooker é o exagerado que o Cazuza blefava ser.
Johnny Hooker diz que Bowie, Madona e Caetano são a Santíssima Trindade que lhe inspira e à qual ele ergue suas preces, relicários e catedrais. Audácia da Pilombeta, como diria Didi Mocó. Não é nada disso. É muito mais que isso. Modéstia do rapaz. Johnny Hooker é Reginaldo Rossi misturado com Ney Matogrosso, é Lupicínio Rodrigues com Elke Maravilha, é Nélson Gonçalves e Adelino Moreira com Dzi Croquettes, é Bibi Ferreira com Rita Cadilac.
Johnny Hooker é burlesco, é belvedere, é Moulin Rouge, é teatro de revista, é Cassino do Chacrinha. Johnny Hooker é viadagem pura, explícita e genial. Da melhor qualidade, ISO 9000.
Johnny Hooker é fossa rasgada, desbragada, estuporada. Johnny Hooker não é fossa que se recolhe com o rabinho entre as pernas, que gani baixo, que se encaramuja e submerge em saco amniótico das próprias lágrimas. Johnny Hooker é fossa arreganhada, que berra e dilacera a garganta, que esfola o cotovelo até os ossos no balcão sujo do bar, que raspa o nome do amado tatuado no peito com estilete enferrujado, que, Godiva e nua, galopa a cidade a te procurar.
Johnny Hooker, sem pudor nem medo de ser infeliz, se descabela e berra : "Volta, que o caminho dessa dor me atravessa, volta, que eu perdoo teus caminhos, teus vícios..."  Se isso não é a boneca de trapo, o farrapo de gente, a vadia que há muito não sabe o que é luz solar do Nélson Gonçalves - "boneca vadia de manha e artifícios, eu quero para mim seu amor, só porque aceito seus erros, pecados e vícios, pois, na minha vida, meu vício é você..." -, pãããããta que o pariu que eu não sei o que mais pode ser.
Se isso não é a Volta do Lupicínio - "Volta!Vem viver outra vez ao meu lado!Não consigo dormir sem teu braço, pois meu corpo está acostumado..." - , pãããããããta que o pariu que eu não sei mais o que pode ser.
Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
Volta
(Johnny Hooker)
Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz

Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar

Volta
Que sem você eu já não posso viver
É impossível ter de escolher
Entre teu cheiro e nada mais

Volta
Me diz que o nosso amor não é uma mentira
E que você ainda precisa
Mais uma vez se desculpar

Então procurei
Nos bares da Aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar

Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar

Então procurei
Nos bares da Aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar

Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar

Volta!
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz

Volta!
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar

Volta

quarta-feira, 8 de março de 2017

ºG.L.

O tempo, se a tudo: 
Dissolve, 
Enfraquece, 
Dilui, 
Cura... 
No meu caso se faz contrário : 
Minha insônia não resolve, 
Meu vácuo não aquece, 
Ao meu desânimo contribui, 
Desmorona mais e mais minha estrutura... 

O álcool, se a tudo : 
Anestesia, 
Abranda, 
Metamorfoseia, 
Alegra... 
No meu caso se faz avesso : 
Não extrai a dor do meu dia, 
Não põe samambaias em minha varanda 
Nem pulsação revigorada em minhas veias. 
Até a distorção do tempo me nega. 

Passa-se o tempo e nada... 
Esvaziam-se as garrafas, e nada... 
Passam as ressacas, e nada ... 
Esvaziam-se as ampulhetas, e nada... 
Bebo o tempo 
Transbordo meu copo com a espuma de décimos de segundos, 
Encho a cara de minutos destilados 
E acompanho a contagem regressiva para a minha morte 
Em meu relógio graduado em ºG.L.

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, RESOLVI COMPRAR UMA VAGINA NO SEX SHOP...

Como o que tem me faltado em inspiração tem me sobrado em preguiça, nesse ano não vai ter texto do Azarão em homenagem ao Dia Internacional das Bucetudas. Não pensem, porém, que deixarei meu fiel público feminino na mão. Brindarei-o com um texto de um verdadeiro cavalheiro, um gentleman, um lorde inglês, um cabra que entende a alma feminina como poucos, que decifra os anseios das mulheres melhor até que o Chico Buarque : Altamir Pinheiro, o Guerrilheiro de Garanhuns.
Altamir ataca em várias frentes. Escreve sobre política, sobre filmes de faroeste, sobre poderosas garrafadas. O texto a seguir é de sua vasta obra de vertente erótica-fuleiragem : 

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER RESOLVI COMPRAR UMA VAGINA NO SEX SHOP...
Meu nome é BERNARDÃO CAXIADO, pois além de ser possuidor de uma pica de jumento eu sou daqueles que tenho por obrigação foder o dia todo, além de bater de 3 a 4 punhetas todos os santos dias... Eu trato minha esposa, carinhosamente, por NARIZINHO. Ela é uma ativista política que se diz pertencer a um partido político por nome de Partido dos Trambiqueiros, mas eu não tô nem aí para o que ela pensa ou a bandeira que defende. O que me interessa nela é simplesmente, único e exclusivamente o seu priquito!!! No ano passado, prestes a chegar o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, eu e NARIZINHO, minha esposa, estávamos de mal. Brigamos que sou cachorro e ela, por vingança, resolveu me pregar uma peça. Justamente no dia internacional da mulher ela ia fechar a sua tabaca e avisou através de um discurso raivoso: FUDER, DE JEITO NENHUM!!! Pois cismou de fazer greve de sexo e encerrar a phudelância por um bom espaço de tempo... Mas, imagina mesmo, BERNARDÃO, o fogosão, sem pelo menos uma fodinha de leve?!?!?! Tô fudido!!! Daí, então decidi a não entrar na onda dela e procurei me vingar de sua atitude fuderosa. Eu já conhecia o Sex Shop de Ana Rasgão, já era cliente de um tempo atrás, decidi comprar uma prótese feminina, uma vagina virgem dentada, daquelas que fica mordendo o cacete e fazendo cosquinhas... Nesse tal dia que NARIZINHO estava com a buceta lacrada, ela estava chegando em casa vindo de uma passeata de rua com suas colegas que também fecharam o tabaco pros seus homens, ela entrou foi ao banheiro tomar banho e eu fui para o quarto, botei a minha pica ajegaiada pra fora e comecei a traçar aquela vagina gostosinha e quentinha que eu havia comprado lá no Sex Shop de Ana Rasgão. Pense numa buceta inflável gostosa!!! Nossa, que delícia!!! Era empurrando a pica e, logo, logo, no sacolejar da coisa, ia logo gozando... Sem que eu percebesse minha esposa NARIZINHO entrou no quarto e me viu empurrando até os cunhão na vagina de plástico. Estupefata com aquela cena, indagou: BERNARDÃO, o que porra é isso que você está fazendo!!! Pois não é que NARIZINHO ficou muito brava e começou a chorar dizendo que eu não precisava mais dela, eu apenas falei que foi por causa das Greves dela, mas NARIZINHO estava inconsolável... Pois não é que a BUCETA DE PLÁSTICO resolveu este tremendo dilema: nunca mais na vida quis fazer greve de sexo!!! É verdade que ela ficou chateada por um tempo, mas nunca mais fez Greve de Sexo, agora é todo dia toda hora e a todo momento fudemos bem gostoso e não tem lugar para a phudelância: em todo canto a gente fode!!! É em cima da caixa-d’água, na cozinha, no berço das crianças, no banheiro e até na casinha do cachorro a foda come no centro... "

terça-feira, 7 de março de 2017

Um Dia...

Uma das mais pungentes canções do Chico.

Basta um Dia
(Chico Buarque de Hollanda)
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia.
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

segunda-feira, 6 de março de 2017

Haicai em Dois Atos

Madrugada sem sono
Horas caídas
Ponteiros em outono

Manhã de segunda
Hiberno
Só quero que você me aqueça  nesse inferno.