sábado, 27 de agosto de 2016

Coletivo de Hienas

Multiplica-se a MISÉRIA nos ventres. 
Alegre. 
Alegre a balançar-se nos cordões umbilicais: 
Pés ao alto, cabelos ao vento, 
Risos de boca sem dentes na alma. 
Alegre, a MISÉRIA. 
Alegre. 
E totalmente descompromissada.

Teco-tecos e Meteoros

Vamos amigo, 
A nos fazer tácita companhia, 
A ficar calados no escuro. 
Que as únicas luzes 
Sejam as cintilações do gelo fundente 
Em nossos whisky. 
Legítimo, o gelo, 
Peixes de vidro fluorescentes 
A decomporem-se em mar irrespirável. 
Falso, o whisky 
- que para o escocês nunca bastou nosso numerário -, 
Mas que, mordaça líquida-volátil, 
Serve a nos manter em silêncio 
E de adubo e formol se presta à amizade. 
Não comentemos acerca: 
Do carro berrando, rua acima, a plenos falantes, 
Do caminhão de lixo de fétido ruminar, 
Da ambulância a vociferar desgraças 
Por sobre os viadutos e sonos dos menos infelizes, 
Das matilhas de adolescentes, hienas insuportavelmente alegres, 
Dos gatos em cio a trepar por sobre os telhados 
E por sob a lua falciforme. 
(Nada comentemos, ainda que, dos gatos, inveja esmagadora abata-se sobre nós). 
Não conjeturemos do iminente dia, 
Duro de rotina, sonado, de ressaca. 
Contemplemos de línguas anestesiadas 
Os teco-tecos e os meteoros a pintar o 7 no céu. 
E se, 
Lá pelo fim da segunda ou início da terceira garrafa, 
For imprescindível algo dizer, 
For caso de legítima defesa romper o escuro, 
Conversemos, pois, sobre defuntos: 
Que é para esquecer da vida.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A Vaca do PT Vai Pro Brejo, Finalmente

Começou o julgamento final do impedimento da presidanta Dilma Rousseff, aquela que foi sem nunca ter sido. Agora, finalmente, a vaca do PT vai definitivamente para o brejo.
O processo todo segue um ritual digno de um circo, é verdade; de um teatro burlesco, de teatro de revista, com vedetes de perna de fora e tudo; horas e horas de muita palhaçada, de muito discurso desse e daqueloutro senador sobre o que todo mundo já sabe : que Dilma e o PT são os maiores ladrões que esse país já teve - e olha que sempre fomos muito bem servidos nesse quesito -, e que o impeachment da presidanta já são favas contadas.
Mas apesar de toda a encenação, de todos os protocolos, de todos os prolegômenos, o motivo é dos mais justos : colocar o PT para fora do Planalto, e , com ele, espero, liquidar, exterminar com todas as chances da esquerda assumir novamente o poder, seja por detrás de qual legenda ela se esconda feito lobo em pele de cordeiro. É o fim da esquerda.
Lula, que sem mais o quê, só pode mesmo falar suas besteiras costumeiras, pronunciou-se : classificou como "a semana da vergonha nacional" o início do julgamento do impeachment de Rousseff. 
"Estou envergonhado de perceber que o Senado, que deveria estar debatendo os interesses do povo brasileiro e os interesses dos trabalhadores, está discutindo a condenação de uma pessoa inocente", disse Lula, que questionou a legitimidade do julgamento. "Hoje é o dia em que começam a rasgar a Constituição do país". 
Grande e fedorenta bosta o que Lula diz. Que credibilidade o sapo barbudo ainda julga ter? 
A Constituição do Brasil não está a ser rasgada; pelo contrário, está é a ser respeitada, seguida à risca. E é justamente isso que causa estranheza e deixa sem defesas os do PT, é isso que os faz espernear inutilmente. São os vermelhoides os que não têm o costume de seguir as leis, são eles que sempre viveram e tiraram suas forças da ilegalidade, da clandestinidade, eles é que sempre fizeram das sombras a sua plataforma política.
É chover no molhado, eu sei, mas foi a corja vermelha que, na década de 1960, quis tomar o poder na marra, na base da metralhadora, de ações de guerrilha, de muito sequestro e assalto a bancos. Foi a corja vermelha que, em 2003, no início do primeiro mandato de Lula, começou sub-repticiamente, um trabalho de aparelhamento do Estado, como forma de tornar propriedade de um partido o que é público, o que é patrimônio de toda uma nação, e que é o que todo governo comunista faz, toma o Estado como sua propriedade particular.
Da primeira vez, foram impedidos pelo valoroso Exército Brasileiro, sempre pronto e treinado a repelir e a rechaçar os inimigos da nação, sejam eles externos ou internos - alguém ainda é capaz de dizer que os militares erraram em seu julgamento de que essa canalhada é inimiga da nação?; os militares pecaram por certos excessos no combate aos criminosos, vitimando igualmente alguns inocentes úteis, mas o julgamento deles a respeito do risco iminente à soberania nacional foi exato e preciso.
E, agora, foram impedidos de trocar o verde de nosso lábaro estrelado pelo vermelho-stálin por um Estado democrático de direito, que é para não terem a desculpa de dizer que foram presos e julgados sumariamente.
Mas continuarão insistindo nisso. Lula e seus sei lá quantos ladrões insistirão na história do golpe até os últimos de seus dias, até os seu leitos de morte.
Não foi golpe. Uma vez que tudo foi - está- sendo feito seguindo os trâmites previstos na Constituição, não é golpe. Golpe, deu o PT no país.
E também, a essa altura do campeonato, pouco importa se foi golpe ou não, o mais importante é que mais uma vez a tentativa de instalar no Brasil um estado comunista foi frustrada, foi derrubada.
Querem viver num país esquerdista? Vão para Cuba, para a Venezuela, para a Coreia do Norte.
Vão pra lá, vão, seus porras! Provar da democracia comunista!
Dilma expressando os seus mais sinceros sentimentos ao povo brasileiro. Tomar no cu? Ora, vá você, Dilma. Aliás, já tomou, né?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Professor Sandrão : Sempre na Luta

Aberta, de novo, a temporada de caça ao eleitor! As eleições municipais estão aí! Recomeça a corrida pelo ouro das urnas! Todo mundo querendo uma boquinha, uma sinecura, uma teta pra mamar sem ter que se preocupar com a chifrada do boi. Me ajeita que eu te ajeito, é a ideologia vigente entre os candidatos, independente de partido
Carros de som já estão nas ruas esburacadas da malcuidada Ribeirão Preto a vomitar os toscos jingles dos candidatos a vereador; "santinhos" começam a entulhar as ruas, as praças, os para-brisas dos carros e as caixas de correios das residências; semianalfabetos desdentados e desempregados estão nas esquinas das principais avenidas a envergar as bandeiras dos partidos e dos candidatos, porta-bandeiras desse nosso eterno e triste carnaval de horrores.
E dá de tudo nas Olimpíadas pelo pódium da Câmara Municipal : velhas raposas de sempre, vendedores de bilhete da loteria federal, aposentados do INSS, ex-jogadores de futebol, socialites decadentes, lipoaspiradas, botocadas e falidas, donos de padaria, carteiros, garis, motoristas de ônibus, motoboys, travestis, pedagogas, assistentes sociais, o chinês da loja de R$ 1,99, o garçon da chopperia famosa, cantor de sertanejo universitário, pastores evangélicos, radialistas e apresentadores de programas vespertinos de TV etc etc etc. Só a elite da sociedade. Só a nata da ricota.
Mas essa eleição promete ser diferente, acena-nos com uma novidade. Um luminoso, ainda que cambaleante, raio de esperança desponta no seco e enfumaçado pelas queimadas de cana-de-açúcar horizonte de Ribeirão Preto.
É o Professor Sandrão. Conhecido também como o Sandrão da Luta, o Sandrão da Força, o Sandrão da Causa, entre outros vários epítetos, alcunhas e codinomes, sendo o mais notório, o Sandrão da Breja. Conheço Professor Sandrão desde as priscas eras, desde o tempo do Sarney, e muitas já entornei em sua companhia sempre animada e ilustrativa.
Professor Sandrão é professor de História e esquerdista juramentado; não obstante, é gente boa pra caralho, é boa-praça que só. Professor Sandrão fala sobre política, mas não faz catequese, não faz partidarismo. Professor Sandrão é de boa, é da paz; não quer brigar nem doutrinar ninguém, só quer passar o seu recado e tomar sua cervejinha no sossego.
Professor Sandrão é multitarefa, acumula atividades à de professor. É boêmio das antigas, estilo Nélson Gonçalves. É músico da melhor qualidade, conhece tudo do bom samba, de Adoniran a Nei Lopes, de Germano Matias a Hermínio Bello de Carvalho, personalidades que, à exceção de Adoniran, Sandrão já acompanhou com seu grupo Os Etanóis. 
Professor Sandrão esmerilha na percursão, é um virtuose da timba, seja lá o que isso for; reza a lenda - uma das muitas que o cercam - que Professor Sandrão já tocou até com a lendária Vitória-Régia, banda do não menos mitológico Tim Maia. 
Professor Sandrão é folião de antigos carnavais, defende o estandarte do bloco Os Alegrões, no carnaval de rua meio triste de Ribeirão - as águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar, é o carro-chefe do bloco.
Professor Sandrão é bebe-quieto, é aquele cara que fica despercebido em seu cantinho, bebericando devagar e sempre a sua cervejinha num copo americano Nadir Figueiredo e, quando você se dá conta, acabou com o estoque do boteco.
Reza outra lenda que, em certa feita, Sandrão foi pescar com dois amigos em uma represa de Miguelópolis, cidade da região, mas não os acompanhou a bordo do barco alugado para que alcançassem águas mais profundas e piscosas. Professor Sandrão, modesto, preferiu ficar no barranco do rio, com sua varinha de bambu e a zelar pelo container de isopor com a provisão de cerveja estimada para os três dias de pescaria.
Os amigos passaram o dia no barco e, ao retornarem ao pôr-do-sol, contam que lá estava o Sandrão, no mesmo lugar, na mesma posição, sem ter fisgado um mero lambari - não devia ter saído dali nem pra mijar, não tinha trocado uma única minhoca do anzol. E o isopor, a cápsula de sobrevivência, é claro, vazio!
E, agora, Professor Sandrão promete fazer história na política da provinciana Ribeirão Preto, terra, até hoje, de disfarçados cabrestos e coronelismos, uma capitania hereditária legada pelos barões do café aos usineiros da cana-de-açúcar.
E, agora, Professor Sandrão é candidato a vereador. É o nº 50.000 do PSOL - 51.000 melhor se lhe adequaria.
A cereja do bolo de sua plataforma política é, claro, a Educação Pública, o seu pão de cada dia, o seu porto seguro. Professor Sandrão não é ingrato à sua ingrata profissão, não cospe no copo em que bebeu.
De chofre, Professor Sandrão propõe : "Salário de vereador igual ao de professor".
Cagou logo na entrada, Sandrão. Cagou. Que porra é essa, meu velho? Inverte isso, Sandrão, inverte isso! Salário do professor igual ao de vereador, isso sim! Para que tirar o doce da boca dos nobres edis e arrumar briga assim logo de cara? 
Estenda, simplesmente, as regalias dos vereadores também à classe professoral. Faça aprovar um projeto que estabeleça a isonomia salarial entre as classes políticas e a do magistério, afinal, produtividade por produtividade, produzimos, ambos, merda nenhuma. Zero. Também quero assessores! Assessoras, professoras assessoras gostosas e novinhas, cheias de vontade de aprender e servir ao velho, porém, não morto, mestre.
O Marreta apoia o Professor Sandrão! Em Ribeirão, vote no Professor Sandrão.
Ribeirão é 50.000! 
Ajude o Sandrão a garantir o seu (o dele) litrão!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Luas Ladras De Bagdá

Os cafés da Tia Nastácia,
As siestas em tapetes voadores
Por entre os minaretes de Bagdá
(espantando as garças que voam e me fazem chorar);
O vinho de algas azuis
Tomada à beira de uma Atlântida
Ainda não submersa;
Os pergaminhos roubados
E os mapas-múndi de nossos mundos
Esboçados à magna luz do olhar de Alexandre
Em sua fênix-biblioteca,
Nossas meias-noites em carruagens de abóboras.

Tão pequena a probabilidade de voltar a acontecer
Que começo a considerar a grande probabilidade
De nunca ter acontecido.
De ter sido mera travessura de Sandman
E seu embornal de areia,
Poeira colhida do teu Mar da Tranquilidade.
Traquinagem de João Pestana
Que invadiu nosso Sonhar
Sem escrúpulo, crápula
Sem pestanejar.

Se disseres que não,
Que nada aconteceu,
Que tudo é novidade para ti,
Ficarei tranquilo em vida,
Mas angustiadíssimo na hora da morte
(por não ter velejado no mercúrio líquido do teu ventre prateado, pulsante e maravilhosamente sem som).

Se disseres que sim,
Que igualmente tudo é boa memória para ti,
E certeza de impossibilidade futura,
Viverei atormentado
Mas estarei sereno na hora da morte
(feito astronauta que arranca voluntariamente o capacete e sucumbe feliz sem ar nas tuas invaginações, na tua cratera mais acolhedora).

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pênis de Japonês o Elimina das Finais do Salto Com Vara. Fui Traído Pela Minha Própria Vara, desabafou.

Japonês praticar salto com vara é pedir pra ser zoado. Não dá pra resistir. É piada pronta. Japonês treinar salto com vara é implorar para virar alvo de chacotas e zombarias. É pregar por conta própria um papel na costas escrito Me chute, Me passe a mão. É masoquismo. É autobullying.
Japonês não tem vara, tem, no máximo, hashi, que são aqueles pauzinhos de comer sushi. A varinha do japonês mal chega pra comer o peixe cru da japonesa e o cara quer ganhar medalha em salto com vara.
Mas há os persistentes - marca, aliás, do oriental. Há os que não aceitam conformados a predestinação e o determinismo biológico, há os que não se rendem aos limites impostos pela natureza, e, em nobres e inspiradores exemplos de força de vontade e da superação nascida da perseverança, os rompem, os ultrapassam.
É o caso do atleta varudo japonês Ogita Hiroki, de 28 anos - uma espécie de Kid Bengala nipônico, com seus, talvez, sete ou oito centímetros de piroca. Ogita Hiroki desafiou todos os prognósticos em contrário, desmontou paradigmas e disputou nesta segunda-feira (15/08) uma vaga nas finais olímpicas do salto com vara. Um herói nacional, sem dúvida.
Só que na hora H, na hora da onça beber água, na hora do sapeca iá-iá, o japonês se fodeu. Foi traído e desclassificado pela própria vara.
Acontece que três varas estão em jogo no salto com vara masculino. Três varas sobre as quais o atleta deve exercer completo domínio e imprimir perfeita sincronia. Não à toa, é considerada a modalidade mais técnica do atletismo.
A primeira é a vara em si, aquele varão, composto por camadas de fibra de carbono e fibra de vidro, que o atleta usa à guisa de uma alavanca para se alçar às alturas do Olimpo e tentar passar por sobre uma segunda vara, o sarrafo, aquela barra vertical que estabelece a altura a ser superada, e que, em hipótese alguma, pode ser tocada, sequer triscada, qualquer contato, de qualquer parte do corpo do atleta, por mais tênue e leve, derruba o sarrafo, o salto é invalidado e o atleta, eliminado.
Pois o atleta japonês coordenou com maestria e passou célere e incólume pelas duas varas. Alavancou-se do chão com coreografados força e ângulo de subida, subiu reto, impecável, um falcão peregrino, transpôs o sarrafo e curvou o corpo em medido semicírculo para evitá-lo. Mas se esqueceu da supracitada e ainda não esclarecida terceira vara.
Ogita Hiroki esqueceu-se de coordenar a terceira vara do jogo, a sua própria vara, a benga. O corpo passou rente ao sarrafo, já caindo para a classificação, mas aí a piroca do japonês enroscou no sarrafo. Foi ela, a piroquinha do japonês, e não um braço, um joelho ou um pé, que tocou e derrubou o sarrafo. Desclassificado. Eliminado pela própria piroca.
Taí a benga do japonês enroscando no sarrafo. Piroquinha de anjinho barroco. Do Davi, de Michelângelo. É isso o que eu chamo de um azar do caralho! Pãããããããta que o pariu!!!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

XV de Agosto (II)

Hoje
O dia veio com sintomas de extinção em massa.
O vento correu
Seco, afiado e castanho
Roubando a umidade
Dos olhos
Das narinas
Das vulvas.
Motosserrando o verde
E os ipês amarelos,
Soterrando os vivos
Do pó dos que dele vieram
E que a ele já retornaram
(engana-se quem pensa se tratar de queimada de cana-de-açúcar),
Abastardando o azul do céu.
As nuvens coraram-se de açafrão
De gás mostarda
Para sufocar o sol
Para asfixiar a luz
Para criar ocre mortalha
Sépia sepulcro.
Mas o cio resiste
O verde, fotossíntese
O sol ainda arrota dinamite.
A vida,
Capenga,
Maratonista aleijado
Que manca sobre próteses que lhe causam escaras nos cotocos dos membros amputados,
Insiste em nos cuspir à cara seu degradante espetáculo
E nos sorri,
Canalha, filha da puta,
Vencedora vencida, 
De seu pódio sem concorrentes,
Sem outras bandeiras
Nem hinos de outras nações. 
(e um pterodáctilo, aproveitando-se da minha distração, do meu porre, achega-se de mansinho e faz seu ninho no velho boldo de minha sacada)

XV de Agosto

Despertemo-nos! 
E aos outros, também!
Despertemo-nos!
E a todos os de nossa ninhada!
É instante de recontar a história,
De alavancar nossos mortos do túmulo, portanto.
Arranquemo-nos de nossas clausuras,
Coloquemo-nos em ruínas,
E também aos nossos telhados,
Para que a tempestade convença à consciência
Os ainda reticentes em seus sonos :
Nem um único ouvido surdo deve sobrar.
A história, é necessário, seja redita, reouvida
E os mortos, incomodados,
Espezinhados em seus repousos de órbitas despalpebradas.
A história,
A bem da sanidade,
Seja esquecida, depois;
E os mortos, vital, reocupem-se, ao término, de suas putrefações;
Só depois, porém.
De todos, assim, toda a atenção!
E, de cada qual, uns poucos cobres para a cerveja
- nosso veneno espumante -,
Para a cerveja, uns poucos cobres devem chegar,
Que é comum do homem os seus venenos custarem pouco,
Quem já viu, entretanto, uma cura a preço módico?
Sem lástimas : é do homem, é do homem!
Tomemos, pois, gelado, o nosso veneno
Que, atenuante, é de mais agrado ao paladar.
Às crianças, mantê-las de ouvidos despertos,
Qualquer beberagem de cafeína e noz de cola,
Aos mortos, nada
Que de nada precisam, os mortos.
Acomodemo-nos em nossas cadeiras
(e há assentos para todos, com o nome de cada um em seus espaldares, a exemplo das lápides)
Para mais uma coletânea de atrocidades,
De pecados a ser justificados.
Para impulsionar a roda de mais um ciclo de sofrimentos:
Purguemo-nos em mais um XV de Agosto.

domingo, 14 de agosto de 2016